Foi uma música que o despertou do sono profundo e quase eterno. Estava hipnotizado pelo balanço do metrô, quando no seu Ipod tocou "Não vou me adaptar" na voz do Nando Reis. Voltou algumas vezes para ouvir a letra novamente. Prestar atenção em cada frase. Tudo verdade...
Teve vontade de cantar junto, mas não gostava de parecer um maluco falando sozinho. "NÃO VOU ME ADAPTAR!!!" Ele queria mesmo era gritar. Cantar seria muito pouco. O trem chegou na estação. Saltou no meio da multidão de zumbis rumo ao trabalho incomodado com o fato dos seus pés seguirem o caminho de forma automática. Sentiu-se o coelho da Alice - tô com pressa, tô com pressa. Tinha compromissos naquele dia. Certamente nada que será relevante quando lembrar daqui a 30 anos. Já não sabia bem o que é ser isso, mas passou a vida tentando fazer com que acreditassem que era uma pessoa responsável.
"Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia" e sabe-se lá porque se esforçava tanto em fingir que a qualquer momento isso poderia ser modificado. Nem sabia ao certo se queria tanto assim. "Eu não encho mais a casa de alegria" porque andava tão cansado e de saco cheio de ter sempre os mesmos velhos planos não realizados que acabava não curtindo nada. Deixava para outros a tarefa de alegrar os ambientes por onde passava.
"Os anos se passaram enquanto eu dormia" e eles não voltariam mais. "Eu não vou me adaptar". Ele queria muito, mas não conseguiria.
Ele chegou ao trabalho ainda tonto. Um tanto pela noite mal dormida, outro pela confusão mental que começou ao prestar atenção nas letras das músicas durante o trajeto. Quando sentou-se na mesa, parecia que tinha aterrisado no seu corpo naquele instante. Já não lembrava o que tinha que fazer de tão importante.
Pegou novamente o ipod, selecionou a próxima música da lista. "Cegos do Castelo". Os emails pipocavam enquanto ele fitava a tela do computador mudo. "Eu não quero mais mentir". Nando Reis sabia dos seus segredos. Tinha escito aquela também pra ele. "Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu" mas agora era tarde demais. Ela chegaria a qualquer momento. Ele não saberia mais fingir que nada estava acontecendo.
"E se você puder me olhar" vai ver a quanto tempo desejo que você saiba quem eu sou. E não poderei mais ficar aqui. NY estava particularmente fria naquela manhã. Detestava a neve. Não tinha mais a mesma graça de quando chegou do Brasil. A novidade derreteu junto com o gelo e o seu casamento. Ambos viraram lama. Ela voltou para o calor do Rio. Ele insistiu em ficar e tentar. E tudo ia muito bem, até descobrir que não conseguiria mais esconder que tinha se apaixonado de novo.
Ela faria mil pedaços dele. Ele seria o seu cachorrinho. "Eu cuidarei do seu jantar", da sua cama, dos seus desejos. "Se você quiser me achar" ele não resistiria. Ele iria cuidar.
Pegou novamente o ipod, selecionou a próxima música da lista. "Cegos do Castelo". Os emails pipocavam enquanto ele fitava a tela do computador mudo. "Eu não quero mais mentir". Nando Reis sabia dos seus segredos. Tinha escito aquela também pra ele. "Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu" mas agora era tarde demais. Ela chegaria a qualquer momento. Ele não saberia mais fingir que nada estava acontecendo.
"E se você puder me olhar" vai ver a quanto tempo desejo que você saiba quem eu sou. E não poderei mais ficar aqui. NY estava particularmente fria naquela manhã. Detestava a neve. Não tinha mais a mesma graça de quando chegou do Brasil. A novidade derreteu junto com o gelo e o seu casamento. Ambos viraram lama. Ela voltou para o calor do Rio. Ele insistiu em ficar e tentar. E tudo ia muito bem, até descobrir que não conseguiria mais esconder que tinha se apaixonado de novo.
Ela faria mil pedaços dele. Ele seria o seu cachorrinho. "Eu cuidarei do seu jantar", da sua cama, dos seus desejos. "Se você quiser me achar" ele não resistiria. Ele iria cuidar.